terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Persona


Por gostar muito de Clarice Lispector, ouso intitular esta postagem com um título de umas de suas crônicas. Persona. Escrita em 02 de março de 1968 no Jornal do Brasil. Com o objetivo de homenagea-la, já que ontem, dia 10/12/2012, se fosse viva faria 92 anos. Mas também porque não encontro outra palavra melhor. O que sei é que hoje preciso escrever. Vamos ver o que sai. (rs)...Então, por favor não comrparem este meu desabafo com a crônica da Clarice. Não façam isso com ela. (rsrsrs)

Hoje, com 30 anos de idade, consigo entender um pouco melhor de mim mesma. Minhas limitações, minhas qualidades, minha personalidade. E com este conhecimento, também acabo compreendendo mais o outro e aprendendo a ter mais respeito pelo tempo de cada um. Por isso, gostaria de pedir que jamais me comparem a ninguém. Mesmo que seja pra dizer que sou melhor. Porque você estará cometendo uma grande injustiça comigo e com a pessoa a qual sou comparada, além de correr um grande risco de decepcioná-los futuramente. Isso me lembra a sabedoria da Igreja em não considerar ninguém santo antes que tenha morrido e depois de um longo estudo sobre a vida da pessoa. A única razão pra isso é que enquanto estamos vivos podemos mudar e tomar caminhos totalmente diferentes. Estamos em construção até a hora da partida.

Tenho me incomodado muito quando ouço comparações. É uma forma muito imbecil de definir uma pessoa. Já repreendi vários colegas que, até com boa vontade e querendo me fazer um elogio, me comparam com outras pessoas. Eu sou única. Cada um é um ser único e particular. Cada indivíduo está numa fase. Uns alguns passos a frente, é verdade, mas não em todos os pontos. A vida pode ter me ensinado algo que a outro ainda vai ensinar. Não dá pra comparar. É ridíco e pequeno demais. Cada um carrega experiências próprias que jamais alguém viveu igual. Eu até posso me comparar a mim mesma, e mesmo assim devo respeitar meu passado, pois eu fui o que eu pude ser. Se ainda não conseguia enxergar o que vejo hoje, era porque ainda chegaria a hora. Pra que me culpar? Eu gostaria de ter sido uma criança melhor, mais obediente, menos briguenta, mais estudiosa, mas eu fui a criança que eu tive condições de ser. A que eu consegui ser. Então, desta forma mantenho a harmonia com o que fui e o que sou.. e me projeto no que serei.

Muita gente ainda não é o que gostaríamos que fossem, mas elas são o que conseguem ser. Vamos respeitar? Eu não vou mudar ninguém. Não desejo converter ninguém com minhas palavras. Não quero este peso nas minhas costas. Se minhas palavras ou experiências levarem alguém a se tornar melhor, ótimo, mas eu não tenho este desejo, esta expectativa. O que eu tenho que fazer é ser coerente comigo mesma, com meus valores. Sempre. De vez enquando uma correção fraterna faz bem, mas sem esperar nada em troca. Apenas por amor.

Aprendi a duras penas. Decidi: não vou e nem quero mudar ninguém. Primeiro porque não sou melhor. Ninguém conhece ninguém. Então, bico calado com suas opiniões sobre os outros.

Somos únicos. Ninguém está no mesmo lugar. Uns com passos a frente num determinado aspecto, uns em outro. Todos caminhando. Todos tentando. Aceite-se como é. Respeite quem o outro é. E lutem pra que o que é gerado deste encontro entre você e o outro, seja algo bom. Sem preconceito. Sem julgamentos. Entendo que ele/ela é uma persona única e você não está no caminho dele/dela a toa.


Com amor e sem comparações,

Jucimeire Paiva



Um comentário:

Éderson Paiva disse...

Não tem coisa melhor do que ler, no último dia do ano, mais um dos teus belos textos.
Desejo a você e a todos da família um feliz ano novo. Abraço!
Já que gosta de Clarice:

Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.